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Ato em 7 de Setembro levanta bandeira dos EUA e gera críticas sobre submissão simbólica

  • setembro 8, 2025
  • 3 min read
Ato em 7 de Setembro levanta bandeira dos EUA e gera críticas sobre submissão simbólica

Texto: Matheus Fraga

No último 7 de setembro, data que marca a Independência do Brasil, chamou atenção a presença de uma enorme bandeira dos Estados Unidos sendo estendida durante manifestações em território nacional. O episódio, registrado em imagens aéreas, provocou indignação em diversos setores da sociedade que consideram o gesto um símbolo de rendição e submissão a interesses estrangeiros.

Historicamente, a data de 1822 representa a ruptura formal com o domínio colonial português e a afirmação da soberania brasileira. Carregar uma bandeira estrangeira em pleno Dia da Independência soa, para muitos analistas políticos e historiadores, como uma afronta à memória nacional e uma contradição gritante com o espírito do 7 de Setembro.

Não é a primeira vez que o Brasil convive com gestos de subserviência internacional. Durante o século XX, o país esteve sob forte influência dos Estados Unidos em diferentes momentos, especialmente durante a Guerra Fria e a ditadura militar (1964-1985), quando decisões estratégicas nacionais eram frequentemente pautadas pelo alinhamento a Washington. Esse histórico de dependência política e econômica reforça a crítica de que estender a bandeira americana em ato patriótico brasileiro simboliza não apenas admiração, mas também a negação da autonomia conquistada com luta e sangue.

Para historiadores, o gesto lembra mais uma colônia que um país independente. O Brasil já enfrentou embargos, sanções e interferências externas que prejudicaram setores econômicos estratégicos, como o aço e a agricultura, em nome de interesses internacionais. Nesse sentido, a atitude de tremular uma bandeira estrangeira em uma data tão simbólica é vista como um ato de desrespeito à soberania e à dignidade do povo brasileiro.

A crítica central é que, ao invés de reforçar o orgulho nacional e a memória da independência, parte dos manifestantes optou por reverenciar um símbolo externo, reforçando a ideia de tutela e dependência. A bandeira dos EUA, em pleno 7 de Setembro, deixa de ser apenas um estandarte: transforma-se em um gesto político carregado de significados, que remete à abdicação da luta por autonomia e à aceitação de um papel subordinado no cenário internacional.

O Brasil não é colônia. É uma nação com identidade própria, construída com diversidade cultural, resistência popular e luta por soberania. Reverenciar símbolos estrangeiros em uma data que celebra justamente a emancipação nacional é, para muitos, um retrocesso histórico e um insulto ao povo que não se curva.

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